Muitos jovens se queixam ou não se submetem a procurar empregos ou desempenhar funções mais operacionais, que não tem ligação direta com a carreira que seguirão. Porém, este pode ser o primeiro passo para um futuro de sucesso ou, no mínimo, uma experiência de vida interessante.
Começar a trabalhar cedo traz maturidade profissional e conhecimentos como respeito a hierarquias e vivências com as cobranças por resultados
Com o mercado cada vez mais competitivo, os recém-formados necessitam demonstrar agilidade, perspicácia, expediente, habilidades políticas adquiridas em experiências profissionais diversas. Essa é a opinião de Ivan Witt, head hunter e sócio da Steer Recursos Humanos. “Qualquer tipo de trabalho traz aprendizados importantíssimos como os relacionamentos interpessoais, respeito a hierarquias além de aprender a lidar com as cobranças por resultados, erros e suas consequências. Essas experiências farão a diferença quando comparadas a um currículo que tenha somente a formação universitária”, alerta Witt.
“O preconceito por vagas em atividades simples impede que muitos jovens cresçam pessoal e profissionalmente”, Ivan Witt
Outro fator para a falta de maturidade e experiência no mercado é a expectativa que o jovem tem de atingir, em pouco tempo, o mesmo patamar salarial ou as mesmas condições de vida que seus pais possuem. “Muitos recusam boas oportunidades como se pudessem ganhar muito antes de adquirirem experiência”, diz o especialista. “O preconceito por vagas em atividades simples impede que muitos jovens cresçam pessoal e profissionalmente”.
O publicitário Ricardo de Freitas Roseno sabe bem o que é passar por uma situação dessas, praticamente a um mês da conclusão do curso superior. “Consegui o meu primeiro emprego na área de Publicidade e Propaganda no último mês de faculdade devido a um trabalho free-lance, em uma agência, indicado por um amigo. Dois meses depois dessa primeira experiência me chamaram para trabalhar em uma vaga aberta na mesma agência”.
Roseno afirma que a experiência foi extremamente válida, mas ele sentiu falta de ter mais maturidade profissional quando começou. “Estou a um ano trabalhando e quando olho para trás vejo o quanto evolui e aprendi como profissional. São coisas que vão além da teoria e precisam ser vivenciadas na prática. Aconselho aqueles que hoje estão na faculdade a irem em busca da colocação profissional mais cedo. Pensem, repensem e arrisquem”.
Witt concorda com Ricardo e finaliza dizendo que não existe melhor momento para começar a trabalhar. “Quanto menos experiência ele tiver mais erros está propenso a cometer. E o medo de errar pode gerar insegurança. É melhor iniciar em áreas de menor responsabilidade e adquirir traquejo. Por isso insisto que o jovem não deve demorar em buscar uma colocação e ele não deve ser tão seletivo. Qualquer experiência é bem-vinda ao futuro empregador. Nenhuma empresa quer ensinar o básico a um indivíduo que já tem diploma, tem que chegar jogando e de preferência fazendo gol”.
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